Longe vão os dias em que o Sol brilhava na inocência do teu sorriso e muita água passou na ribeira onde ambos nos aventurávamos naqueles distantes Verões sem fim. A árvore que plantámos no quintal da avó já deu frutos, mas nós esquecemo-nos de gozar a sua sombra. A quinta já não tem gatos, não se voltou a ouvir o ladrar dos podengos do avô e o tanque há muito que está seco. O vento fustiga as árvores esbeltas que outrora foram o nosso exército e eu sento-me exausto numa pedra fria a observar a morte, enquanto ela se passeia em meu redor, consumindo tudo aquilo em que toca. Nada receio, pois perdi todos os medos que tinha quando perdi a fé na vida. Limito-me a esperar e a rezar baixinho para que voltes.