sábado, 23 de outubro de 2010

In the land of happily ever after



os duetos são espontâneos, como se, de improviso, os corações batessem ao mesmo ritmo e as vozes afinassem no mesmo tom.

A vida teria muito mais piada com banda sonora anexa. Música motivacional, tipo "Don't give up", para os momentos difíceis. Um jingle piroso para as viagens de carro pelo meio dos campos, daqueles em que toda a gente no carro começa a cantar (por favor, não!). Além disso, um instrumental épico antes das grandes revelações ajudaria bastante a criar o ambiente certo. Num ponto de vista muito mais prática, saberíamos se correríamos perigo de vida ou não consoante a música que estivesse a tocar, por exemplo, enquanto estamos a tomar banho!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

para que conste...

Quando sair daqui, vou começar a arquitectar um plano para conquistar o mundo. Hoje sinto-me cheio de ideias!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dance with me



... com ele também podes, mas só um bocadinho... com o outro eu já não acho tanta piada.

Os amantes (VI)



Quando olhares para ela, não guardes para ti nem um grão do que sentes. Envolve-a nos teus braços, como se nada mais na vida fizesse sentido, e diz-lhe ao ouvido tudo o que nunca ousaste dizer a ninguém. Vais sentir o coração estalar, como se um pequeno rouxinol estivesse prestes a eclodir, faminto de atenção e já com vontade de cantar.

Vais segurar-lhe na mão, como se fosse feita de porcelana, e vais fazê-la rodopiar sobre ela própria, uma volta, outra vez e mais um pouco, deixando-a de costas para ti. Não tenhas pressa, porque tens muito para sentir e ainda mais para largar. Beija-a docemente como se ela fosse uma flor, acariciando cada pétala e cada folha.

Deixa que a tua alma caia nela e se afunde no seu amor por ti. Deixa-te ir sem medo de ficares sem ar e aprende a respirar na atmosfera densa das suas emoções. Fecha os olhos e vê-a agarrar-te e transportar-te pelo seu mundo mágico, onde tu serás o seu príncipe.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

In the land of happily ever after


o amor simplesmente acontece e transforma-nos sem pedir licença.

Eu sonhava

Virei costas e deixei-te para trás, sentada no banco, a chorar. Primeiro senti uma dor aguda fortíssima, depois, simplesmente, deixei de sentir o que quer que fosse e comecei a andar. Segui pelo meio das árvores altas ao longo do parque, sentindo os teus soluços a embater em mim como o mar numa falésia.
Eu tentei, juro que tentei, mas não deu. Eu disse-te desde o início que não era capaz de me envolver, disse-te que era um cavalo selvagem indomável, sem dono nem senhor, forte como a terra e companheiro do vento. Tu riste-te, chamaste-me poeta e quiseste ter-me. As regras de sedução são tão simples que às vezes me pergunto como é possível haver ainda quem sofra com desilusões de amor.
Podia dizer-te que te amei à minha maneira. Podia até dizer em minha defesa que houve dias em que eu desejei entregar-te o meu coração e, com ele, o meu destino, mas ele não me saiu do peito. Por isso, cheguou uma altura em que não aguentava mais, em que todos os teus planos me sufocavam e em que não conseguia olhar para ti e desejar-te. Nunca consegui superar esta fase em nenhuma relação e contigo não foi excepção.
No teu lugar, teria gritado a plenos pulmões: “HIPÓCRITA! IDIOTA! IMBECIL!”, mas tu não és assim. Acho que foi por isso que acreditei genuinamente que contigo poderia ter sido diferente… que eu poderia ser diferente. Se um dia fores capaz de me perdoar, envia-me uma mensagem a combinar um café, por favor, nem que seja para me esfregares na cara que superaste a dor que te fiz sentir e que estás com alguém mil vezes melhor que eu.

domingo, 10 de outubro de 2010

Alguém disse...

Alguém disse que cada Homem tem um caminho, um destino, um plano traçado nos céus, uma estrada de sentido único em direcção à felicidade. Alguém disse que para cada pessoa há uma cor, um cheiro e um acorde, uma essência única e característica. Alguém nos levou a acreditar que o primeiro passo é encontrarmos a nossa estrela, mas eu já não acredito nisso.
Porquê ter um caminho predestinado, se há tantos trilhos por desbravar? Porquê uma estrela, quando o céu está cheio de tesouros desconhecidos? Porquê um bocado do tudo, se tudo o que temos nunca é suficiente? Mesmo que as minhas mãos não cheguem para carregar toda a areia da praia, os meus pés não se cansarão de dançar a noite inteira entre as dunas e o mar.
Por fim, quando chegar a altura, lembra-me que posso escolher um qualquer caminho entre mil, todos cuidadosamente dispostos para que eu possa ver com clareza que nenhum deles é meu, mas que qualquer um deles o poderá ser.

Uma pena por uma espada

If...

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise:

If you can dream – and not make dreams your master;
If you can think – and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build ‘em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: ‘Hold on!’

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings – nor lose the common touch,
if neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And – which is more – you’ll be a Man, my son!

Rudyard Kipling

Tinha 10 anos quando o meu avô me deu para as mãos este poema. Decorei-o anos mais tarde, mesmo quando discordava de mais de metade dos versos. Agora que já quase o esqueci, percebo, com um misto de espanto e orgulho, que me estou a tornar nesta pessoa…

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Justiça (XI)


Não dês conselhos a quem não tos pede, pois a única coisa que ganharás é uma discussão. Porém, se te vierem pedir, com o coração despido de preconceitos, uma orientação, não a negues a ninguém. Ouve, pondera e sorri sempre no fim, pois independentemente do conselho que deres, as pessoas sabem sempre o que querem e a única coisa que precisam é de um empurrão, alguém que possam culpar quando as coisas correrem mal. Por isso, nunca lhes digas o que querem ouvir, baralha-as, ataca as suas convicções e obriga-as a fecharem os olhos e a pesarem nas pontas dos dedos as consequências dos seus actos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu sonhava



É tão bom acordar ao teu lado depois de uma noite passada juntinhos debaixo dos pesados cobertores. Sorris para mim com esse teu sorriso maroto e viras-te para o lado a fazer bolinha, no mais fofo “daqui não saio eu, daqui ninguém me tira” que eu já vi.
Ligo o rádio baixinho, levanto-me devagar e espreguiço-me muito ao som do “Against all odds”, na versão original, claro está, do Phill Collins. Vou à janela e abro as persianas para deixar os primeiros raios de sol da Primavera entrarem no nosso quarto.
Lembras-te que quando chegámos nevava tanto que parecia que nos iríamos transformar em estátuas de gelo se ficássemos parados mais que um minuto na rua? Havia uma camada de pelo menos 30 cm de neve à porta e nós escorregávamos muito ao tentar trazer as malas para dentro de casa. Foi um milagre nenhum de nós ter caído!
Assim que parou de nevar fomos para o jardim para atirar bolas de neve um ao outro, mas mal nos conseguíamos mexer com tantos casacos e camisolas que tínhamos vestidos. Com o gorro enfiado quase até aos olhos e o cachecol a tapar garganta, boca e nariz, parecíamos dois foragidos com medo de sermos identificados. Depois declarámos tréguas e fizemos o nosso primeiro boneco de neve, tão tosco que parecia um esboço de Botero. Eram basicamente três bolas de neve empilhadas, sem respeito por quaisquer proporções predefinidas para este tipo de estudo artístico, e não tínhamos nem botões, nem cartola e muito menos uma cenoura para fazer de acessórios ao pobre boneco de neve. Quanto aos cachecóis que tínhamos, faziam-nos demasiada falta para serem cedidos de forma tão gratuita. Entre galhos, gravilha e outras pedrinhas, conseguimos fazer uma obra-prima da arte pré-histórica. Só é pena que em pleno século XXI ninguém lhe tenha dado o devido valor, excepto nós, claro está.
Agora que penso nisso, parece que foi ontem, mas não foi. Parece que foi fácil, mas foi preciso ter muita coragem e abdicar de muitas coisas. Parece que tudo correu conforme planeado, mas os nossos sonhos e expectativas são sempre diferentes da realidade de todos os dias e foi graças à certeza de podermos contar sempre um com o outro que chegámos onde chegámos.
Ao virar-me, sei que os meus olhos vão encontrar os teus, desafiando-me. Eu vou sorrir, aquele meio sorriso que tu conheces tão bem, e vou voltar para os lençóis, chegar a boca bem junto ao teu ouvido e sussurar: “Amo-te muito”.

sábado, 2 de outubro de 2010

Vida a duas velocidades

Sabes aquelas pessoas que ora não fazem nada e se estendem no sofá displicentemente, ora correm dum lado para o outro, em grande agitação como se ao som das doze badaladas o mundo fosse acabar? Em primeiro lugar, não gosto da filosofia de vida, e, em segundo lugar, não quero ser assim.
Por um lado, há tantos andamentos intermédios entre o Gravissimo e o Prestissimo que não deveria ser difícil conseguir, em cada instante, escolher entre o Alegro e o Vivace ou entre o Lento e o Adagio, conforme melhor se adeqúe. E daí, talvez, como o sal na comida, seja uma arte que requer tempo, paciência e prática.
Por outro lado, sofro dum mal crónico, que é ter a cabeça sempre a altas rotações, até ao dia em que o motor gripar e me obrigar a descer a ladeira em ponto morto.

Never too old to be a child