Tenho um cravo espetado no coração. Em redor não há sinais de ferida, nada está em carne viva, tão pouco espreita uma única gota de sangue. O tempo cicatrizou o tecido na perfeição, deixando apenas uma leve rugosidade no contacto. Nem sequer dói quando o coração bate.
Tenho um espinho cravado no peito e vivo e respiro sem dar por ele, a menos que sucumba a acessos de adrenalina que me aceleram o sangue e fazem explodir por dentro. Nesses momentos de arritmia, cada batida é uma dor lancinante e, de olhos semicerrados, fecho os punhos e mordo o lábio para me conter. Por isso, prefiro não sentir e vaguear pelos meus dias com a solidão.
Não esperes que sorria quando chegas, nem que chore quando te fores embora. Não me peças que me apaixone ou que enlouqueça por ti. Não sonhes com mais do que te quero dar. Se não o conseguires, mantém o teu coração longe do meu castelo de gelo, algures onde a minha indiferença te for indiferente e onde a minha morte não corrompa a tua juventude.
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