Virei costas e deixei-te para trás, sentada no banco, a chorar. Primeiro senti uma dor aguda fortíssima, depois, simplesmente, deixei de sentir o que quer que fosse e comecei a andar. Segui pelo meio das árvores altas ao longo do parque, sentindo os teus soluços a embater em mim como o mar numa falésia.
Eu tentei, juro que tentei, mas não deu. Eu disse-te desde o início que não era capaz de me envolver, disse-te que era um cavalo selvagem indomável, sem dono nem senhor, forte como a terra e companheiro do vento. Tu riste-te, chamaste-me poeta e quiseste ter-me. As regras de sedução são tão simples que às vezes me pergunto como é possível haver ainda quem sofra com desilusões de amor.
Podia dizer-te que te amei à minha maneira. Podia até dizer em minha defesa que houve dias em que eu desejei entregar-te o meu coração e, com ele, o meu destino, mas ele não me saiu do peito. Por isso, cheguou uma altura em que não aguentava mais, em que todos os teus planos me sufocavam e em que não conseguia olhar para ti e desejar-te. Nunca consegui superar esta fase em nenhuma relação e contigo não foi excepção.
No teu lugar, teria gritado a plenos pulmões: “HIPÓCRITA! IDIOTA! IMBECIL!”, mas tu não és assim. Acho que foi por isso que acreditei genuinamente que contigo poderia ter sido diferente… que eu poderia ser diferente. Se um dia fores capaz de me perdoar, envia-me uma mensagem a combinar um café, por favor, nem que seja para me esfregares na cara que superaste a dor que te fiz sentir e que estás com alguém mil vezes melhor que eu.
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