quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Os amantes (VI)



Quando olhares para ela, não guardes para ti nem um grão do que sentes. Envolve-a nos teus braços, como se nada mais na vida fizesse sentido, e diz-lhe ao ouvido tudo o que nunca ousaste dizer a ninguém. Vais sentir o coração estalar, como se um pequeno rouxinol estivesse prestes a eclodir, faminto de atenção e já com vontade de cantar.

Vais segurar-lhe na mão, como se fosse feita de porcelana, e vais fazê-la rodopiar sobre ela própria, uma volta, outra vez e mais um pouco, deixando-a de costas para ti. Não tenhas pressa, porque tens muito para sentir e ainda mais para largar. Beija-a docemente como se ela fosse uma flor, acariciando cada pétala e cada folha.

Deixa que a tua alma caia nela e se afunde no seu amor por ti. Deixa-te ir sem medo de ficares sem ar e aprende a respirar na atmosfera densa das suas emoções. Fecha os olhos e vê-a agarrar-te e transportar-te pelo seu mundo mágico, onde tu serás o seu príncipe.

1 comentário:

Anónimo disse...

Já li muito. Muito de muita coisa, de muitos autores, mas nada alguma vez tão bonito como o que li aqui. Que lindo, vindo de um Homem. Afinal os Homens percebem as Mulheres! Que lindo e que belo e ainda que filosófico. Os meus parabéns. Que certeiro!!! Sou sua fã.