Sabes aquelas pessoas que ora não fazem nada e se estendem no sofá displicentemente, ora correm dum lado para o outro, em grande agitação como se ao som das doze badaladas o mundo fosse acabar? Em primeiro lugar, não gosto da filosofia de vida, e, em segundo lugar, não quero ser assim.
Por um lado, há tantos andamentos intermédios entre o Gravissimo e o Prestissimo que não deveria ser difícil conseguir, em cada instante, escolher entre o Alegro e o Vivace ou entre o Lento e o Adagio, conforme melhor se adeqúe. E daí, talvez, como o sal na comida, seja uma arte que requer tempo, paciência e prática.
Por outro lado, sofro dum mal crónico, que é ter a cabeça sempre a altas rotações, até ao dia em que o motor gripar e me obrigar a descer a ladeira em ponto morto.
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