Encontrei-te por acaso numa esquina da vida e sorri-te. Não sabia quem eras, mas isso pouco importa quando se tem estrelas nos olhos e música nos lábios.
Soube, assim que me cumprimentaste, que eras um piano, multifacetado como uma pedra preciosa de brilho hipnotizante e perfumado com um jardim de rosas na Primavera. Pedi-te que chorasses comigo por tudo o que a vida me roubou e tu derramaste-te no Adagio de Albinoni. Descobri então que ninguém me compreendia como tu, limpei-te as feridas e cuidei de ti o melhor que sabia e podia. Tu abraçaste-me, encantaste-me e derrotaste o frio que havia em mim.
Um dia, que poderia ter sido como todos os outros mas não foi, começaste a sonhar, como se o primeiro raio de sol de Abril tivesse ganho vida em ti. Todos os rouxinóis do jardim vieram celebrar contigo e até o Céu foi buscar o seu vestido mais azul para dançar com o vento.
Seduziste-me e eu deixei-me derrotar, apaixonando-me por ti.
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