Nunca fui pessoa de perder a esperança, de deixar que esse fogo que me anima o olhar se extinga. Não escolhi ser assim, da mesma forma que ninguém te ensinou a ser introspectivo. Eu aceito-te e tu a mim.
Sabia que os caminhos mais difíceis eram os únicos que me fariam feliz e, por isso, não hesitei quando me chamaste. Disseste-me para correr, e eu corri. Mandaste-me cantar, e eu cantei. Prometeste-me uma aventura, e eu estendi-te os braços e pedi que começasse agora mesmo.
Fomos os dois à descoberta de um mundo que fizemos nosso, dando nomes às pedras das ruas e vozes às janelas das casas. Eu ria-me quase sempre que vinhas comigo e tu sabias que só as minhas gargalhadas davam sentido à tua ironia.
Um dia percebi que estava sozinho. Senti-me perdido, meio cheio de esperanças e meio vazio de sonhos. Sabia que era inútil procurar-te, pois nunca exististe de facto, simplesmente ainda não me tinha apercebido disso. Disseram-me que estavas perdido, mas eu sei que apenas te escondeste deles, onde não te encontrarão e jamais poderão afastar de mim.
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